Hannah Jones - Limitação do Esforço Terapêutico ou Eutanásia?
Novembro 29th, 2008
Hannah Jones, adolescente britânica de 13 anos, vive em Marden na Inglaterra com sua família.
Hannah sofre de leucemia desde os quatro anos de idade. Já foi submetida a tratamentos fostíssimos de quimioterapia que acabaram por lhe atacar o coração.
Por conta da insuficiência cardíaca gerada pela ação dos medicamentos, há um ano Hannah recebeu marcapassos.
Apesar dos marcapassos seu coração está fraquinho e funciona com apenas 10 % da sua capacidade. Hannah necessitaria de um transplante.
O transplante de coração obrigaria a Hannah a sofrer nova intervenção cirúrgica no espaço de dez anos e durante este período tomaria drogas imunodepressoras para evitar a rejeição do órgão transplantado. As drogas imunodepressoras, por sua vez, agravariam ainda mais a leucemia.
Hannah decide que está cansada dos tratamentos e das camas dos hospitais. Não deseja fazer o transplante e prefere “ter uma morte digna”.
Neste caso, o Supremo Tribunal britânico acaba de sentenciar que, não havendo discrepância com o parecer dos pais, a vontade livre e lúcida da adolescente prevalecerá. Fevereiro é o mês limite para a sua esperança de vida, avisaram os médicos. Ela mantém a decisão.
Hannah decide não fazer o transplante e continuar vivendo até o limite das suas forças. Algumas pessoas entendem sua decisão como eutanásia.
Hipócrates, há 2500 anos, dizia que um dos papéis da Medicina é “recusar-se a tratar daqueles que foram vencidos pela doença, entendendo que, diante de tais casos, a medicina torna-se impotente”.
Na eutanásia o paciente terminal padecendo de sofrimento que ele não suporta mais pede para morrer. É um suicídio assistido. O paciente pede a morte para uma terceira pessoa (geralmente equipe médica) que atendem o pedido e ministram substâncias que provoquem uma parada cardiorespiratória, por exemplo. Na eutanásia há a presença da intenção de causar a morte.
No caso da Hannah Jones não ocorrerá eutanásia, mas a limitação do esforço terapêutico, que consiste numa suspensão progressiva do tratamento em caso dos enfermos irrecuperáveis ou com prognóstico certo de morte em curto prazo.